Lucro presumido ou lucro real: qual é a melhor escolha para sua empresa?

Escolher entre lucro presumido e lucro real é uma dúvida que sempre chega até mim, especialmente quando empresários percebem que o peso dos tributos começa a comprometer o crescimento. Sinto que muitas decisões nesse tema ainda são feitas por medo ou hábito, em vez de reflexão baseada em números e cenários concretos. Vou contar o que observo no dia a dia: essa escolha, se não for planejada agora, pode custar bem mais caro em breve.

O que define lucro presumido e lucro real?

Cada regime tem sua lógica, e riscos. No lucro presumido, o governo estabelece um percentual sobre o faturamento para calcular o imposto devido, independentemente do lucro real da empresa. É uma espécie de “regra de bolso” pensada para facilitar o cálculo, dar algum grau de previsibilidade e simplificar obrigações. Na prática, se você fatura R$ 5 milhões, o imposto será calculado sobre uma base que pode não refletir seu lucro real. O sistema não é novo, mas tem mudado.

Já o lucro real considera o resultado efetivo da empresa, ou seja, a diferença entre receitas e despesas dedutíveis. Se os custos aumentam, a base cai, e, portanto, o imposto pode ser menor em cenários de margem mais “apertada”. Mas exige um controle fiel das contas, lançamentos e documentos.

Por que as mudanças tributárias de 2026 impactam tanto?

Falando abertamente, vejo um contexto de urgência. Segundo informações publicadas pela Agência Brasil, o governo prevê um corte linear de 10% nos benefícios fiscais concedidos a empresas já para 2026, alvo de arrecadar mais de R$ 19 bilhões. Diversos tributos federais serão impactados e, para quem está no lucro presumido, o impacto é direto e pesado sobre a receita.

Neste cenário, manter o regime sem reavaliar pode resultar em aumento do imposto sem crescimento real. Ou seja, a empresa pode pagar mais simplesmente porque perdeu incentivos e a base de cálculo ficou mais cara, sem que o lucro real da operação tenha aumentado.

Reunião empresarial discutindo mudança de regime tributário em sala de reuniões Como a reforma tributária pode afetar o regime do lucro presumido?

Com a reforma, o PIS e a Cofins serão substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que terá uma alíquota muito mais alta. A área técnica da Fazenda já aponta em análises sobre os impactos da CBS que a alíquota pode saltar de 3,65% para cerca de 9,24% no faturamento do lucro presumido. Eu já atenção para o sentido prático: a carga tributária anual, só neste ponto, pode dobrar para certos segmentos. Na prática, é um cheque maior todo mês, mesmo que você não fature mais.

Sei que a maioria das empresas com quem converso ainda não fez uma simulação detalhada desse novo cenário. E não é só impressão: um levantamento recente de 2025 revelou que 33% das empresas sequer discutiram internamente os efeitos da reforma. O risco de surpresa negativa é real.

Por que o lucro real pode parecer assustador (e quando não é)?

Confesso que vejo um certo temor exagerado em relação ao lucro real, principalmente entre pequenas e médias empresas. Muitos clientes chegam até a MCO Contábil acreditando que se trata de um regime exclusivo para grandes estruturas, com sistemas caríssimos e processos burocráticos. Mas, com as tecnologias atuais, até empresas médias podem trabalhar com o lucro real, desde que adotem um sistema contábil integrado e uma rotina financeira organizada.

Pode ser vantajoso mudar para o lucro real antes que a pressão dos novos impostos aperte ainda mais.

No lucro real, o maior desafio é manter a documentação em dia e os custos bem controlados. É trabalhoso, mas o benefício aparece quando as margens apertam. Se sua empresa teve períodos de queda, pagará menos imposto, pois ele é sobre o resultado efetivo. Por outro lado, se a margem é alta e os custos baixos, pode ser que o IRPJ e a CSLL aumentem.

O perigo da inércia: a decisão que custa caro

Hoje, quem permanece “no automático” corre grande risco. A decisão passiva de não avaliar as opções pode se transformar em um dos maiores erros do gestor, sobretudo em 2026. Vejo empresas que só percebem o prejuízo quando o caixa aperta ou a fiscalização bate à porta.

  • Com o fim de incentivos, o lucro presumido torna-se opção cada vez menos atrativa;
  • O lucro real exige controle e disciplina, mas pode ser porta de salvação para empresas com margens baixas;
  • Empresas médias, com sistemas integrados de gestão, podem sim operar no lucro real;
  • A análise correta exige números e planejamento, não só impressão de terceiros.

Para quem ouviu que só grandes podem se dar ao luxo do lucro real, afirmo: basta ter contabilidade digital eficiente e integração de processos, um serviço que oferecemos na MCO Contábil. Simulação e planejamento são o caminho.

O que considerar ao tomar a decisão?

Minha recomendação sempre é baseada na análise do faturamento, tipos de clientes, estrutura de custos, incentivos fiscais disponíveis e metas do negócio para os próximos dois a três anos.

Antes de decidir, levo em conta:

  • Margem de lucro do negócio;
  • Volume e tipo de despesas dedutíveis;
  • Risco operacional e incidência de impostos sobre produtos e serviços;
  • Impacto das mudanças tributárias previstas para 2026 e 2027;
  • Cenário estratégico de crescimento, se o foco é expandir ou consolidar.

Para embasar essas simulações, recomendo a leitura de um artigo que detalha outras comparações relevantes entre os regimes, como o guia sobre como escolher o regime e pagar menos impostos. Complemento com exemplos práticos e novidades em artigos que abordam os impostos de cada regime para 2025.

Pessoa usando calculadora e laptop durante simulação tributária Evite armadilhas: informações claras e simulação antes de tudo

O pior cenário é decidir com base em achismos ou dicas de conhecidos, sem simular números e atualizar cenários fiscais. Reforço: a escolha entre lucro presumido e lucro real deve ser sempre uma escolha ativa, baseada em dados, não em medo. O caminho correto é reunir informações, simular os impostos conforme os novos parâmetros legais e pensar estrategicamente.

Empresas que se planejam pagam menos impostos ou gerenciam melhor seu fluxo de caixa, dependendo do ciclo do negócio. Recomendo, inclusive, a leitura de recursos como análises sobre melhores regimes para cada perfil de empresa e comparativos como este detalhamento do Simples Nacional versus Lucro Presumido ou ainda este guia prático comparando os dois principais regimes.

Simular é melhor do que adivinhar.

Conclusão

Na minha experiência, a decisão pelo lucro presumido ou lucro real não pode ser adiada nem feita por medo. Agora, mais do que nunca, é o momento de agir. As mudanças na legislação, a redução de incentivos e aumento das alíquotas vão pesar no caixa de quem não se antecipar.

O melhor caminho é montar simulações, analisar os impactos da reforma e estruturar o planejamento tributário com clareza. Assim, sua empresa estará preparada para crescer, pagar apenas o que for devido e fugir de sustos fiscais no futuro. Se ficou com dúvidas ou quer discutir sua situação, convido você a conhecer melhor os serviços personalizados da MCO Contábil, onde entregamos clareza, segurança e planejamento moderno para sua empresa prosperar.

Perguntas frequentes

O que é lucro presumido?

Lucro presumido é um regime tributário em que o imposto de renda e a CSLL são calculados a partir de um percentual fixo do faturamento, e não sobre o lucro real da empresa. Os percentuais variam por atividade, mas simplificam os cálculos, tornando a apuração dos tributos mais previsível, ainda que nem sempre justa para quem tem margens menores.

O que é lucro real?

Lucro real é o regime em que a base de cálculo dos impostos leva em consideração o lucro líquido efetivo apurado na contabilidade, após deduzir todos os custos e despesas permitidas. Com esse método, se a empresa lucra menos, paga menos. É ideal para empresas com custo elevado ou margens variáveis.

Quando escolher lucro presumido ou real?

A escolha deve partir de uma análise numérica do negócio. Lucro presumido é interessante para empresas de margem alta e custos reduzidos, desde que a reforma não torne o regime inviável. Lucro real pode ser melhor para quem tem margens baixas, fluxo de receitas variável ou muitos custos dedutíveis. Fazer simulações considerando as mudanças tributárias previstas é o primeiro passo.

Qual é o mais vantajoso para pequenas empresas?

Não existe resposta única. Pequenas empresas tendem a buscar simplicidade e previsibilidade, optando pelo presumido. No entanto, algumas empresas de médio porte ou com custos expressivos se beneficiam do lucro real, principalmente com controle contábil eficiente e apoio de tecnologia.

Como calcular o imposto em cada regime?

No lucro presumido, aplica-se um percentual fixo sobre as receitas, definido pelo segmento, e calcula-se IRPJ e CSLL em cima dessa base, somando ainda PIS, Cofins e demais tributos. No lucro real, o cálculo é feito diretamente sobre o lucro contábil, após descontos de custos e despesas, e exige escrituração detalhada para evitar riscos fiscais e aproveitar eventuais compensações de prejuízos.

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