O que é Gestão de Riscos?

A gestão de riscos é um conjunto de ações que visam controlar e gerir uma empresa em relação a possíveis ameaças. Por meio do gerenciamento de riscos, serão adotadas medidas com o potencial de prevenir ou eliminar riscos, além de identificar oportunidades que possam gerar valor para uma organização.

Ao gerenciar os riscos, as empresas podem se preparar para eventos inesperados, minimizando as ameaças, além dos custos que seriam gastos, antes mesmos que aconteçam.

As atividades de gerenciamento de riscos atuam em conjunto com as boas práticas de compliance e governança corporativa, e possuem o intuito de consolidar as operações da empresa, agregando valor e tornando-a mais atraente para investidores e consumidores.

Classificação dos riscos

Como pudemos observar acima, o risco é um efeito da incerteza, podendo ser um evento, circunstância ou condição futura. Alguns exemplos de riscos comuns, são:

  • Acidente de trabalho;
  • Acidente ambiental;
  • Fraude financeira cometida por um parceiro;
  • Perda de funcionário-chave na organização;
  • Evento que virou notícia e fez cair a reputação da marca;
  • Problema na logística de distribuição;
  • Perda de estoque;
  • Dificuldade para obter crédito;
  • Falta de fornecedor;
  • Elevação nos custos de produção;
  • Processos judiciais.

Esses são apenas alguns exemplos de riscos que podem prejudicar uma empresa.

Natureza do risco

Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) utiliza uma classificação de risco que considera a origem (interna ou externa à organização) e a natureza do evento.

  • Riscos Externos: são ocorrências associadas ao ambiente macroeconômico. Eles abrangem aspectos políticos, sociais, naturais ou setoriais em que a organização opera.

Como por exemplo, nível de expansão do crédito, grau de liquidez do mercado, nível das taxas de juros, tecnologias emergentes, ações da concorrência, mudança no cenário político, conflitos sociais, aquecimento global ou catástrofes ambientais.

Ou seja, eventos que a organização, em geral, não consegue intervir diretamente. No entanto, isso não significa que os riscos externos não possam ser “gerenciados”; pelo contrário, é fundamental que a organização esteja bem preparada para essa ação reativa.

  • Riscos Internos: são eventos originados na própria estrutura da organização, pelos seus processos, seu quadro de pessoal ou de seu ambiente de tecnologia. A organização pode e deve, em geral, interagir diretamente com uma ação pró-ativa.

Reconhecer a origem dos riscos é importante para agir de forma que esses riscos não se convertam em consequências negativas para a organização.

Dito isso, a natureza dos riscos podem ser econômicos, operacionais ou legais. Vamos agora aprender mais sobre eles:

Econômico 

Os riscos econômicos são aqueles que afetam diretamente o fluxo de caixa de uma empresa ameaçando o capital de giro e o patrimônio líquido. A perda de saúde financeira é um problema que afeta diferentes organizações de diversos segmentos.

São ocorrências tais como a administração financeira inadequada, que conduz a endividamento elevado, podendo causar prejuízo frente à exposição cambial ou aumentos nas taxas de juros, etc. Incluem-se neste grupo operações no mercado de derivativos de commodities.

Para lidar com os riscos econômicos, é importante gerar relatórios personalizados regularmente. Isso permitirá que os gestores tenham maior controle e tenham uma visão mais precisa de todo o panorama econômico da empresa.

Operacional

Os riscos operacionais referem-se aqueles em que a empresa pode sofrer perdas significativas devido a falhas de sistemas, processos, pessoas, operação e influências externas.

Os riscos operacionais geralmente acarretam redução, degradação ou interrupção, total ou parcial, das atividades, com impacto negativo na reputação da sociedade, além da potencial geração de passivos contratuais, regulatórios e ambientais.

As falhas operacionais são especialmente perigosas quando produzem retrabalho e prejudicam os objetivos e cronogramas. Uma vez que há atrasos nos processos, podendo acarretar em prejuízos no geral.

Um meio importante de lidar com tais ameaças é a padronização e integração dos procedimentos operacionais.

Legal

O risco legal é um dos mais perigosos e engloba todas as ameaças a que a empresa está vulnerável, como consequência da falta de cumprimento da legislação em vigor.

A interpretação incorreta de dispositivos legais, monitoramento desordenado de obrigações e transações fraudulentas são algumas das possíveis causas de perdas financeiras decorrentes de risco legal.

Dada a gravidade desses riscos, assim como a extensão das perdas, o gerenciamento desses torna-se essencial para o sucesso de qualquer negócio e/ou investimento. O investimento em programas de compliance é uma das formas de se evitar ou prever riscos legais.

A gestão de riscos é um conjunto de ações que visam controlar e gerir uma empresa em relação a possíveis ameaças. Por meio do gerenciamento de riscos, serão adotadas medidas com o potencial de prevenir ou eliminar riscos, além de identificar oportunidades que possam gerar valor para uma organização.

Ao gerenciar os riscos, as empresas podem se preparar para eventos inesperados, minimizando as ameaças, além dos custos que seriam gastos, antes mesmos que aconteçam.

As atividades de gerenciamento de riscos atuam em conjunto com as boas práticas de compliance e governança corporativa, e possuem o intuito de consolidar as operações da empresa, agregando valor e tornando-a mais atraente para investidores e consumidores.

Tipos de riscos

A partir das naturezas jurídicas, o IBGC define os tipos de riscos organizacionais. Essa tipificação visa assegurar a definição de uma linguagem comum de riscos dentro da organização, considerando uma descrição ampla dos tipos de risco. Veja abaixo!

Riscos fiscais

Os riscos fiscais dizem respeito às obrigações legais relacionadas às declarações e impostos. Como por exemplo, não entregar a declaração de Imposto de Renda, ou entregar com dados errados e fora do prazo, e consequentemente receber multa devido a isso. Ou então, não emitir as notas fiscais de acordo com a lei, fazendo com que a empresa seja acusada de sonegação.

Riscos operacionais

Os riscos empresariais operacionais são aqueles decorrentes de falhas em processos internos, externos, de sistemas ou, até, de pessoas, que constituem a organização. Eles são específicos a cada ambiente. Existem algumas formas de evitar tais ameaças. Uma delas é realizar um mapeamento dos processos, a fim de identificar aqueles pontos mais frágeis e, com isso, aplicar técnicas para mitigação. Neste ponto, é primordial que a empresa adote como padrão de comportamento organizacional ações de compliance.

Riscos estratégicos

São fatores que prejudicam o alcance das metas e objetivos estratégicos, os quais representam a sobrevivência e a sustentabilidade do empreendimento. Para isso, é recomendado que a empresa tenha as suas metas, a missão, a visão e os valores bem delineados, pois são esses aspectos nos quais ela se baseará para implementar todas as ações.

Uma metodologia que pode ajudar a sua empresa na criação de uma gestão estratégica é a aplicação do método OKR, que de maneira simples permite que a empresa classifique suas prioridades de acordo com a sua necessidade considerando metas individuais e alinhando-as com a estratégia macro do negócio.

Além disso, ainda é possível utilizar ferramentas como a análise SWOT, para verificar aspectos ambientais internos e externos, como forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, a fim de tomar decisões mais acertadas e conseguir amenizar alguns perigos.

Riscos financeiros

Para evitar os riscos financeiros, é preciso que o objetivo seja sempre fazer com que os ganhos sejam maiores que os gastos. Para isso, é imprescindível realizar o monitoramento. No fluxo de caixa, por exemplo, é necessário projetar adequadamente as receitas e as despesas, a fim de que as operações estejam sempre no azul.

Riscos cibernéticos

Os riscos cibernéticos estão ligados a qualquer tipo de ataque criminoso feito em ambientes virtuais. Seja em busca de dinheiro, dados pessoais, ou até mesmo para realizar extorsão virtual (conhecida como ransomware).

Em geral, os ataques cibernéticos organizacionais incluem: roubo de informações estratégicas, vazamento de dados de clientes e fornecedores e até interrupção das atividades.

Ter um comportamento digital seguro e investir na proteção dos sistemas da empresa, com antivírus e firewalls, é fundamental para evitar que informações importantes sejam roubadas por pessoas mal intencionadas.

Riscos Ambientais

É obrigação de toda empresa oferecer um ambiente de trabalho seguro, que livre o trabalhador de acidentes e doenças ocupacionais. A Norma Regulamentadora No. 9 (NR-9) estabelece o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, para ser seguido por todas as empresas.

É preciso cuidar dos riscos físicos, químicos e biológicos dos colaboradores. Além disso, os riscos ergonômicos, como repetitividade de atividades e postura inadequada, e de acidentes também devem ser foco de atenção quando o assunto é saúde ocupacional.

Sendo assim, existem várias atitudes que podem prevenir tais fatos. Algumas ações que impedem o acontecimento são a limpeza do local de trabalho, oferecer e fiscalizar o uso de EPIs, fazer a manutenção constante das máquinas, promover treinamentos regulares de segurança, conscientizar os colaboradores quanto às ameaças ambientais, ter kit de primeiros socorros, se preparar para possíveis incêndios e orientar quanto à prevenção de lesões por repetição, por exemplo.

Por que a gestão de riscos é importante?

Além de entender o que é gestão de riscos, é preciso entender a sua importância, para assim, colocá-la em prática em seu negócio.

Por meio da gestão de riscos, a empresa passa a atuar diretamente com a prevenção de perdas, identificando e corrigindo desvios que comprometam o gerenciamento adequado da empresa. Além disso, a gestão de riscos também agrega valor à empresa.

As ações de gestão de risco ainda garantem:

Prevenção de perdas financeiras

Por meio da gestão de riscos é possível prever perdas financeiras. Dessa forma, a empresa conseguirá analisar, por exemplo, os riscos que cercam o lançamento de um novo produto ou serviço. Assim, um provável prejuízo pode ser evitado.

Otimização de recursos e processos

Ao identificar e gerenciar os riscos, é possível manejar os recursos de forma mais eficiente e definir processos mais seguros e eficazes. Assim, a eficiência e a produtividade da equipe e dos serviços são potencializadas.

Lucratividade

A margem de lucro da empresa também se beneficia de uma gestão de riscos bem feita. Resolver uma ameaça depois que ela já se instalou custa caro para qualquer empresa. Dessa forma, ao realizar uma gestão de riscos, as ameaças podem ser controladas e não se tornarem um problema.

Vantagens da gestão de riscos

Ao colocar em prática o gerenciamento de riscos, a empresa se beneficia de inúmeras vantagens. Veja a seguir os principais benefícios!

  • Redução de surpresas indesejáveis;
  • Melhoria no planejamento, desempenho e eficácia;
  • Economia e eficiência;
  • Melhoria nas relações com as partes interessadas;
  • Suporte aos processos decisórios da alta administração;
  • Identificação de oportunidades;
  • Eliminação e/ou redução de possibilidades de perdas;
  • Redução custos do capital em função da percepção de segurança e transparência para investidores, financeiras, seguradoras e mercado;
  • Melhoria nos processos de governança corporativa, auditoria e certificações;
  • Melhora ao reunir informações para a tomada de decisão.