Lucro real ou presumido: como escolher o melhor regime tributário

Comparação visual entre lucros reais e presumidos em gráficos financeiros detalhados sobre mesa de escritório

Em todos esses anos atuando com contabilidade e consultoria tributária, já me deparei com uma dúvida que nunca sai de moda: “Afinal, devo optar pelo lucro real ou pelo presumido para minha empresa?” A resposta, para ser honesto, nunca é simples. Cada escolha envolve consequências, e nem sempre o regime mais fácil é o mais barato. Decidir certo pode ser a diferença entre crescer com saúde ou girar em círculos, perdendo dinheiro em impostos pagos a mais.

Por que o regime tributário correto faz tanta diferença?

Eu acho que muita gente subestima o impacto dessa decisão. O regime tributário influencia diretamente a quantidade de tributos pagos, a capacidade de investir, os riscos fiscais e até o próprio fluxo de caixa. Há estudos do FGV mostrando que mexer nesse ponto pode aumentar o PIB em 4,5%, só com simplificação e recomposição correta de alíquotas.

Percebo frequentemente empresas pequenas ficando no Simples Nacional por comodidade e médias agarradas ao lucro presumido por medo da burocracia do lucro real. Só que há riscos claros nisso:

  • Pagar mais imposto do que deveria, reduzindo margem de lucro
  • Perder oportunidades de créditos fiscais ou deduções
  • Ficar vulnerável a autuações se interpretar mal as regras

Ou seja, escolher entre lucro real e presumido não é só questão técnica: é uma estratégia de sobrevivência e crescimento.

Como funciona o lucro real?

Eu costumo explicar para meus clientes de um jeito simples:

No lucro real, o imposto incide sobre o lucro de verdade, não sobre o faturamento.

Funciona assim: a empresa apura seu resultado financeiro, subtraindo todas as despesas dedutíveis (como folha de pagamento, aluguel, custos de mercadorias, despesas financeiras, etc.), e paga o IRPJ e CSLL sobre o que realmente sobrou. Se tiver prejuízo no período, nem paga esses tributos.

Isso fica ainda mais evidente para negócios com margens apertadas ou operações com custos elevados. Empresas que prestam serviços intensivos, por exemplo, podem se beneficiar do lucro real se apresentarem muitos gastos dedutíveis ou alta folha. Já com o presumido, isso nem entra na conta, o que pode ser um problema.

Profissional de contabilidade revisando documentos empresariais em mesa de escritório

Há ainda outras vantagens, às vezes pouco faladas: créditos de PIS/COFINS, aproveitamento de prejuízos fiscais em anos subsequentes e possibilidade de deduzir muitas despesas que, no presumido, não são consideradas.

Quando vale a pena migrar para o lucro real?

  • Empresas com altos custos operacionais
  • Negócios com margem de lucro baixa
  • Empresas com prejuízo contábil, para não pagar tributos sobre resultado inexistente
  • Negócios que têm despesas dedutíveis relevantes

Eu já acompanhei casos de empresas que, ao organizarem corretamente sua contabilidade e mapearem todas as deduções, economizaram entre R$ 8.000 e R$ 12.000 mensais só com IRPJ e CSLL. Para faturamento de R$ 500.000, a diferença entre lucro presumido e real pode chegar a R$ 10.900 por mês. Isso não é exagero, é número real de planilha.

Entendendo o lucro presumido

No lucro presumido, o governo define uma margem de lucro hipotética sobre o faturamento, e os tributos IRPJ/CSLL incidem sobre esse percentual, independentemente de seu lucro real ser menor ou maior.

Por exemplo: para prestação de serviço, a base de cálculo do IRPJ é 32% do faturamento. Se minha margem for inferior a isso, pago imposto “a mais”. No comércio, a presunção é de 8%. É simples, prático, mas pode ser injusto com quem tem custos elevados.

A simplicidade do presumido pode esconder um custo inesperado: imposto sobre lucro que não existe.

Se a empresa consegue operar com margem alta, pode ser interessante, principalmente se não possui muitas despesas dedutíveis. Mas é sempre bom conferir os números. Em empresas comerciais que compram e revendem, quando a negociação da mercadoria é apertada, o lucro presumido costuma pesar mais do que o real.

Exemplo prático: economia real ao migrar para o lucro real

Vou compartilhar um caso real que acompanhei:

  • Faturamento mensal: R$ 500.000
  • Custos operacionais dedutíveis: R$ 350.000
  • Outras despesas (folha, aluguel, etc.): R$ 100.000

No lucro presumido, o IRPJ/CSLL saiu por volta de R$ 14.000/mês. Com organização contábil e migração para o lucro real, caiu para R$ 3.100/mês, uma economia de R$ 10.900 ao mês.

Já imaginou o impacto disso no caixa? Vi empresas contratarem, investirem em tecnologia, e o caixa agradecer.

Gráfico comparativo de regimes tributários empresariais

Condições que favorecem o lucro real

Decidi listar os pontos que mais pesam para recomendar o lucro real:

  • Despesas dedutíveis substanciais
  • Muitos insumos que geram crédito de PIS/COFINS
  • Opera com margem de lucro abaixo do presumido, principalmente em serviços
  • Receitas não recorrentes, que podem gerar prejuízo contábil em alguns meses

O lucro real permite aproveitar prejuízos fiscais, algo impossível no presumido. O Observatório de Política Fiscal da FGV mostra como a complexidade do sistema tributário no Brasil costuma levar a erros ou escolhas automáticas, só que a personalização, nesse caso, pode virar economia grande.

O que prestar atenção antes de migrar?

Eu sempre faço um checklist antes de sugerir lucro real para alguém:

  • Contabilidade super organizada: aqui, não tem espaço para “jeitinho”. Tudo precisa ser lançado corretamente, senão o fisco vai cobrar caro.
  • Revisão minuciosa da folha de pagamento, já que ela impacta no cálculo do imposto.
  • Atenção ao ICMS e o ISS, para empresas mistas.
  • Emissão de notas fiscais perfeitamente alinhada com o movimento real.
  • Análise de todos os gastos passíveis de dedução e planejamento da distribuição de lucros.

A responsabilidade da contabilidade, principalmente no lucro real, cresce bastante. Cuidar desses detalhes faz parte do que eu entrego aos clientes da MCO Contábil, pois é ali que moram as oportunidades de redução de carga tributária sem dor de cabeça.

E como fica para prestadores de serviço?

Eu vejo muitos profissionais liberais e prestadores de serviços perdendo dinheiro no presumido simplesmente porque não conhecem a real margem do negócio. No serviço, o lucro presumido costuma considerar 32% do faturamento como lucro tributável. Se sua despesa consumiu mais, praticamente está sendo tributado em cima do que não existe. Neste caso, o lucro real quase sempre reduz o imposto, se houver boa organização e controle dos custos.

Já para empresas comerciais, a medição precisa ser mais cautelosa, mas quanto menor a margem efetiva por conta de altos custos, mais o lucro real se destaca.

A importância de um bom planejamento contábil

Eu não posso deixar de reforçar: planejamento é o segredo. Um estudo detalhado dos números, mapeamento de riscos e de todos os benefícios fiscais disponíveis muda a história do negócio. O estudo internacional sobre desigualdade tributária mostra que até mesmo pequenos erros podem concentrar a renda tributária nos mesmos grupos empresariais. Não acho sensato contribuir ainda mais para isso por pura falta de acompanhamento qualificado.

Com planejamento e assessoria, tributo vira investimento, não despesa.

Conclusão: pensar certo, pagar menos e crescer com segurança

No fim das contas, não existe decisão “padrão”, pronta para todo mundo. O que sempre aconselho é olhar os números sem medo, buscar apoio técnico e fugir da comodidade do caminho “mais fácil”. A escolha certa pode liberar caixa, permitir reinvestimentos e blindar a empresa em tempos difíceis.

Se você quer crescer e pagar menos tributo sem abrir mão da segurança, conheça as soluções da MCO Contábil. Estou pronto para mostrar caminhos, organizar tudo e construir junto com você um negócio mais leve e preparado. Fale comigo e descubra como transformar a contabilidade em seu maior aliado para prosperar!

Perguntas frequentes sobre lucro real e presumido

O que é lucro real e presumido?

Lucro real é o regime em que o imposto incide sobre o lucro efetivamente apurado pela empresa, após deduzir todas as despesas permitidas por lei. Já o lucro presumido adota uma margem pré-fixada sobre o faturamento, que serve de base para a cobrança dos tributos principais. No presumido, não importa quanto você gastou; no real, tudo precisa ser comprovado e pode virar horizonte de economia de impostos.

Como escolher o melhor regime tributário?

Eu sempre sugiro analisar a margem de lucro, os custos fixos e variáveis do negócio e simular os tributos em ambos os regimes. Uma empresa com muitos gastos dedutíveis geralmente paga menos no lucro real. Se custos são baixos e a margem é alta, o presumido pode atender. Um contador especializado como a MCO Contábil faz toda a diferença na análise fria dos números.

Quais as vantagens do lucro presumido?

A maior vantagem é a simplicidade no cálculo e menor burocracia. Para empresas com margens elevadas e poucas despesas dedutíveis, pode significar menos trabalho na apuração e até menor exposição fiscal. Mas sempre vale comparar com o real antes de decidir.

Quando vale a pena optar pelo lucro real?

Optar pelo lucro real faz sentido quando a empresa tem custos operacionais altos, muitos gastos dedutíveis, prejuízo contábil em períodos ou margem de lucro apertada. Assim é possível pagar imposto só sobre o lucro efetivo e ainda aproveitar créditos fiscais e compensar prejuízos.

Quem pode escolher entre esses regimes?

Podem optar empresas fora do Simples Nacional, desde que se atendam aos requisitos específicos de cada regime. Alguns setores, faturamento anual e atividades também determinam qual opção está disponível. Sempre recomendo avaliar o porte, o segmento e as projeções para não errar nesse passo.

Mude para uma contabilidade que realmente te ajuda a crescer.