Fator R no Simples Nacional: veja como calcular em 5 passos

Quem já sentiu o peso do imposto alto e da falta de clareza sobre suas obrigações sabe como isso tira o sono de qualquer empresário. Em muitos atendimentos aqui na MCO Contábil, essa insegurança é um dos principais motivos de procura. Já atendi desde médicos até representantes comerciais aflitos para saber se estão pagando mais do que deveriam no Simples Nacional. Hoje quero falar sobre algo que pode mudar esse cenário: entender como calcular o Fator R no Simples Nacional, de forma rápida, prática e sem complicação.

O que é Fator R e por que importa

Se você presta serviços e paga imposto pelo Simples, o cálculo do Fator R decide se sua empresa fica no Anexo III ou no Anexo V. Na prática, é isso que define se sua alíquota de imposto pode chegar perto de 6% ou ultrapassar 15% facilmente.

O Fator R nasceu para tentar ser mais justo: empresas que têm mais despesas com folha pagam menos. Funciona como um termômetro entre receita e pessoal: ele compara tudo o que foi pago com folha de salários e pró-labore com o que entrou de receita nos últimos 12 meses, conforme orientação da Receita Federal.

Quando o Fator R está acima de 28%, é possível manter a tributação no Anexo III.

E esse corte dos 28% faz toda a diferença para reduzir imposto no Simples! Por isso, saber como calcular Fator R com exatidão pode transformar o caixa da empresa.

Quem deve acompanhar

Nem todo mundo precisa olhar para o Fator R no Simples Nacional. O foco está em quem presta serviços que dependem de profissionais habilitados ou que se enquadram nos CNAEs do Anexo III ou V. No geral, médicos, dentistas, fisioterapeutas, engenheiros, advogados, empresas de TI e até representantes comerciais podem se beneficiar desse cálculo.

Se você tem dúvidas sobre a sua atividade, recomendo consultar conteúdos específicos sobre profissionais da saúde, representantes comerciais ou empresas de engenharia. A variedade de profissões abrangidas é bem maior do que muitos imaginam.

O que entra no cálculo

O tamanho do benefício depende de como você monta os números. Para fazer o cálculo de modo confiável, o Fator R leva em conta:

  • Receita Bruta Total dos últimos 12 meses (RBT12)
  • Total dos salários, encargos e pró-labore dos últimos 12 meses (FOPAG12)

Gráfico ilustrando a diferença de impostos entre Anexo III e Anexo V após cálculo do Fator R

Eu sempre reforço para empresários não tentarem fazer ajustes sem a validação do contador, pois um pró-labore simbólico ou lançamentos inconsistentes podem acabar trazendo problemas. No site da MCO Contábil mesmo já expliquei detalhes do cálculo e quais informações não podem faltar.

Como calcular o Fator R em 5 passos

  1. Levantar o RBT12 (Receita Bruta Total dos últimos 12 meses)

    Puxe o total que entrou no caixa, mês a mês, somando 12 meses cheios, inclusive o mês de apuração. Após a nova Lei Complementar 214/2025, de 2027 em diante, serão considerados os 12 meses anteriores ao mês anterior ao de apuração.

  2. Levantar o FOPAG12 (Folha de pagamentos dos últimos 12 meses)

    Inclua: salários, pró-labore, INSS sobre folha, FGTS (no regime caixa e competência) e encargos trabalhistas. Atenção: valores de autônomos ou terceirizados não entram.

  3. Aplicar a fórmula do Fator R

    Basta dividir o total da folha (FOPAG12) pelo total da receita (RBT12):

    Fator R = FOPAG12 ÷ RBT12

    Essa proporção costuma ser expressa em percentual.

  4. Interpretar o resultado: qual anexo sua empresa pertence?

    Agora, o ponto-chave. Se o resultado for igual ou superior a 28%, a tributação é pelo Anexo III (alíquotas a partir de 6%). Se ficar abaixo disso, cai no Anexo V (alíquotas mais altas, passando de 15%). Essa regra é confirmada pela Receita Federal.

  5. Definir plano de ação e acompanhamento mensal

    Monitore o índice todo mês. Se ele começar a cair para perto dos 28%, pode ser interessante discutir um ajuste na folha para não sair do Anexo III. Essa análise tem que ser personalizada, considerando a realidade do seu negócio.

Exemplo prático: Fator R na ponta do lápis

Ficou abstrato? Vou trazer um cálculo real, de forma direta.

Uma pequena empresa de consultoria somou, nos últimos 12 meses:

  • RBT12: R$ 600.000,00
  • FOPAG12: R$ 190.000,00

A conta fica:

Fator R = 190.000 ÷ 600.000 = 0,3166 (ou 31,66%)

Como 31,66% está acima do corte de 28%, permanece no Anexo III do Simples Nacional e paga imposto a partir de 6%. Se fosse 27%, migraria para o Anexo V, aumentando bastante a carga tributária. Aqui você encontra outros casos comuns mostrando esse diferencial.

Planilha de cálculo Fator R com receitas e folha, resultado em destaque

Erros comuns que prejudicam o cálculo

O que vejo recorrentemente em empresas que chegam até a MCO Contábil não é dificuldade matemática, mas sim erros de rotina e de interpretação. Perceba se sua empresa já caiu em algum destes erros:

  • Não acompanhar mensalmente as variações do Fator R e “só olhar” uma vez por ano
  • Definir pró-labore simbólico para sócios, sem estratégia ou alinhamento com a realidade da empresa
  • Folha de pagamento desorganizada, misturando encargos e pagamentos de terceiros
  • Erro ao somar períodos errados para a receita ou folha, confundindo meses ou deixando mês fora
  • Tomar decisão só pelo achismo, sem simular quanto o imposto realmente pode cair

Esses deslizes podem custar caro. Já peguei casos em que a empresa poderia estar economizando bem mais, mas pelo simples hábito de não corrigir esses pontos, continuou pagando mais que o necessário.

Checklist do mês para controlar o Fator R

Quer um passo a passo de tarefas para não se perder na rotina? Montei um checklist prático que eu mesmo indico aos clientes:

  • Fechar e conferir a folha de pagamento até o 5º dia útil
  • Lançar pró-labore dos sócios e recolher INSS corretamente
  • Atualizar o controle da receita mês a mês, sem atrasos
  • Conferir encargos (FGTS, INSS) inclusos no cálculo
  • Refazer a conta do índice mensal, com atenção nos números dos últimos 12 meses
  • Simular possíveis cenários caso a folha ou receita mude
  • Validar tudo com apoio do contador sempre que houver dúvida
  • Arquivar documentos que comprovem todos os valores, para eventuais fiscalizações

Esses cuidados mensais deixam sua empresa preparada para aproveitar o melhor do regime tributário.

Conclusão: Use o Fator R a seu favor

Resumindo, saber como calcular o Fator R no Simples Nacional, acompanhar de perto a “folha 12 meses” e cruzar com a receita do período pode ser o caminho mais prático para reduzir imposto no Simples, pagando o justo e organizando as finanças com clareza.

Cada caso, porém, pode trazer situações próprias. Acho fundamental ter uma análise personalizada, comparando cenários e revisando os dados junto ao contador, para garantir decisões mais seguras.

Quer saber se sua empresa está no anexo correto e quanto pode economizar com o Fator R? Fale com a MCO Contábil e peça uma análise do seu RBT12 e Folha 12 meses.

Este artigo é informativo. Cada decisão tributária deve ser avaliada de modo individual por um contador especializado.

Perguntas frequentes sobre Fator R no Simples Nacional

O que é o Fator R no Simples?

O Fator R é o índice que compara os gastos com folha de pagamentos (salários, encargos e pró-labore) com a receita bruta dos últimos 12 meses de uma empresa do Simples Nacional. Ele define se a tributação será pelo Anexo III (alíquotas menores) ou Anexo V (alíquotas maiores), conforme regras detalhadas pela Receita Federal.

Como calcular o Fator R passo a passo?

O método é simples: some toda a receita bruta dos últimos 12 meses (RBT12), some o total da folha (salários, pró-labore e encargos) pelo mesmo período (FOPAG12) e divida FOPAG12 por RBT12. O resultado em percentual indica o índice utilizado para definir o anexo tributário.

Quem precisa usar o Fator R?

O acompanhamento é obrigatório para empresas prestadoras de serviços cujas atividades profissionais constam nos anexos III e V do Simples Nacional, como áreas de saúde, engenharia, tecnologia, representantes comerciais, entre outros. Cada categoria pode trazer regras e especificidades, então sempre confira a classificação do seu CNAE.

Quais atividades se beneficiam do Fator R?

Em geral, atividades que dependem intensamente de profissionais habilitados podem se beneficiar. Exemplos comuns estão nos setores de saúde, consultoria, TI, engenharia, arquitetura, advocacia e similares. Quanto maior a relação da folha com a receita, maior a chance de manter a empresa no Anexo III e pagar menos imposto.

Quando aplicar o Fator R na empresa?

O acompanhamento deve ser feito todo mês. O índice serve para cada apuração mensal, já que os valores podem mudar conforme a folha ou a receita do período. Mudanças recentes definidas pela Lei Complementar nº 214/2025 podem impactar o cálculo a partir de 2027, então empresas devem atualizar os controles para não se surpreenderem.

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